Doutrina
Quaresma é o tempo em que a Igreja se prepara para a Páscoa, da Quarta-feira de Cinzas até a noite da Quinta-feira Santa, quando começa o Tríduo Pascal.
É um tempo de escuta da Palavra de Deus, de conversão e de reconciliação com Deus e com os outros. Nele a Igreja se une aos quarenta dias de Jesus no deserto. A oração, o jejum e a esmola são os gestos que mais marcam este tempo.
Na Missa isso se vê: o padre usa roxo, o Glória fica de fora nos domingos, o Aleluia dá lugar a outra aclamação antes do Evangelho e o altar fica sem flores, a não ser no quarto domingo, nas solenidades e nas festas.
No Brasil, a CNBB, a conferência dos bispos do país, promove todo ano, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade, que nasceu como um convite à solidariedade, gesto concreto da esmola.
Quando você encontra
Começa na Quarta-feira de Cinzas, com a imposição das cinzas, e termina quando começa o Tríduo Pascal, na Missa da Ceia do Senhor, na noite da Quinta-feira Santa. Os domingos deste tempo vão do 1º ao 5º domingo da Quaresma; o sexto, que abre a Semana Santa, é o Domingo de Ramos. Nas sextas-feiras da Quaresma, a devoção do povo se volta para a cruz de Jesus, e a via-sacra é uma prática muito própria deste tempo.
Por que a Quaresma tem quarenta dias?
O número lembra os quarenta dias que Jesus passou no deserto: todos os anos, neste tempo, a Igreja se une a esse momento da vida dele. "Os quarenta dias" é o nome tradicional da Quaresma, e não uma conta exata de dias no calendário.
Por que não se canta o Glória nem o Aleluia na Quaresma?
É um dos sinais de sobriedade deste tempo, de penitência e conversão. O Glória fica de fora nos domingos da Quaresma, mas volta nos dias de festa maior que caem dentro dela, as solenidades e as festas. O Aleluia some a Quaresma inteira: no lugar dele se canta outra aclamação antes do Evangelho, e ele só volta na Vigília Pascal.
O que a Igreja convida a fazer na Quaresma?
A oração, o jejum e a esmola, as três formas tradicionais de conversão, e também a partilha com quem precisa, as celebrações penitenciais e a via-sacra. São convites para o caminho até a Páscoa. Os dias de jejum e de abstinência têm uma página própria nesta seção.
De onde vem esta explicação
- Diretório sobre Piedade Popular e Liturgia (Congregação para o Culto Divino), nº 124 (tempo que prepara a Páscoa: escuta da Palavra, conversão, reconciliação; oração, jejum e esmola), 125 (começo com as cinzas), 127 (fim no começo do Tríduo, na Missa da Ceia do Senhor; as sextas da Quaresma e a cruz) e 133 (a via-sacra, especialmente adequada à Quaresma)
- Catecismo da Igreja Católica, §540 (os quarenta dias da Grande Quaresma e Jesus no deserto), §1434 (jejum, oração e esmola) e §1438 (tempos de penitência; liturgias penitenciais, privações voluntárias, partilha fraterna)
- Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário (1969), nº 19 (o Tríduo começa na Missa vespertina da Ceia do Senhor), 28 (da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia, excluída; sem Aleluia até a Vigília Pascal), 29 (cinzas na Quarta-feira) e 30 (1º a 5º domingos; o sexto é o Domingo de Ramos)
- Instrução Geral do Missal Romano, nº 53 (Glória fora dos domingos da Quaresma; nas solenidades e festas), 62 a-b (sem Aleluia; outro versículo antes do Evangelho), 305 (altar sem flores, salvo IV domingo, solenidades e festas) e 346 d (roxo na Quaresma)
- CNBB — O que é a Quaresma? (Imprensa CNBB, 17/02/2010), seção sobre os sinais: a cor roxa, as cinzas e a cruz lembram a penitência e a conversão; espaço celebrativo sóbrio; não se cantam o Glória e o Aleluia
- CNBB — O que a Quaresma tem a ver com a Campanha da Fraternidade? (Imprensa CNBB, 26/02/2022), abertura e seção sobre a origem: a CNBB realiza a Campanha da Fraternidade todo ano no Tempo da Quaresma; a primeira, em 1962, nasceu como convite à solidariedade, gesto concreto da esmola
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